O COTIDIANO DOS MÉDICOS
EM FORMAÇÃO
Nos 125 anos de existência, a Faculdade de Medicina formou mais de dez mil e quinhentos médicos e médicas. No início da faculdade, o ingresso ocorria após a aprovação nos exames de Português, Latim, História, Geografia, Aritmética e Álgebra, Geometria e Trigonometria, Física, Química, História Natural e um idioma estrangeiro (Francês, Inglês ou Alemão).
A intensa vida social acadêmica iniciava-se no ingresso dos alunos na faculdade, marcado com o grande evento de recepção aos novos estudantes, conhecido como a “Passeata dos Bichos” ou “Parada dos Bichos”.
Acervo MUHM: Dr. Oscar Telles Ferreira
Acervo MUHM: Dr. Ottorrino Frasca
Acervo MUHM: Dr. Pedro Almiro Fauth
Acervo MUHM: Dr. Oscar Telles Ferreira
Acervo: Academia Literária Feminina do RS
Acervo MUHM: Dr. Antônio Peyrouton Louzada
Acervo MUHM: Dr. Antônio Peyrouton Louzada
Acervo: Academia Literária Feminina do RS
Os documentos
As aulas
Após a entrada na Faculdade de Medicina, os alunos tinham aulas variadas, passando pelas disciplinas gerais até conteúdos mais especializados. Além dos assuntos ministrados em salas de aula, os professores guiavam os alunos pelas aulas práticas, tendo como espaço de aprendizagem, nos primeiros anos, as enfermarias da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre até a construção do Hospital de Clínicas de Porto Alegre na década de 1970.
Acervo MUHM: Dr. Wenceslau Ferdinando Konarzewski 1955 - Dr. Pery Riet Corrêa 1956 - Dra. Dorila Siciliani 1957 - Dr. Pery Riet Corrêa 1958 - Dr. Fernando Ferreira Bernd 1959 - Dr. Pery Riet Corrêa 1960 - Dr. Pery Riet Corrêa
Acervo MUHM: Dr. Dino Damiani
Acervo MUHM: Dra. Leonor Baptista Schwartsmann
Acervo MUHM: Dr. Wenceslau Ferdinando Konarzewski 1955 - Dr. Pery Riet Corrêa 1956 - Dra. Dorila Siciliani 1957 - Dr. Pery Riet Corrêa 1958 - Dr. Fernando Ferreira Bernd 1959 - Dr. Pery Riet Corrêa 1960 - Dr. Pery Riet Corrêa
Acervo MUHM: Dr. Darcy Silva Azambuja
Acervo MUHM: Dr. Darcy Silva Azambuja
Acervo MUHM: Dra. Dorila Siciliani
Acervo MUHM: Dr. Darcy Silva Azambuja
Os convites
Os formandos
Para a obtenção do grau de doutor em Medicina, os alunos tinham que preparar uma tese de doutoramento, a ser apresentada ao final do curso. Nos anos iniciais da faculdade, os estudantes com melhores notas concorriam ao prêmio Dona Amélia Berchon des Essarts, entregue ao aluno laureado. Após a formatura, os diplomados faziam viagens para especialização em hospitais europeus, situados em capitais como Paris (França) e Berlim (Alemanha), no período de um a dois anos.
Acervo MUHM: Dr. Hory Falcão Coutinho
Acervo MUHM: Dr. Doris Schlatter
Acervo MUHM: Dra. Dorila Siciliani
Acervo MUHM: Dr. Hory Falcão Coutinho
Acervo MUHM: Dr. Ivo Barbedo
Acervo MUHM: Dr. Salvador Pinheiro Machado
Acervo MUHM: Dr. Gabriel da Cunha Coutinho
Acervo MUHM: Dr. Ivo Barbedo
Os diplomas de Medicina
Os quadros de formatura
A PASSEATA DOS BICHOS
Uma tradicional atividade estudantil realizada no começo de cada ano letivo. Neste evento, os veteranos dos cursos recepcionavam os calouros de forma irreverente, divertida e crítica.
Era uma festa gigantesca e que envolvia toda a cidade. Familiares e moradores se deslocavam para assistir ao cortejo dos estudantes no centro de Porto Alegre, atiravam confetes e serpentinas de cima dos prédios, aplaudiam. Os alunos se fantasiavam e se pintavam e, munidos de cartazes, percorriam o trajeto que compreendia a Rua Sarmento Leite, Rua João Pessoa, Avenida Salgado Filho, Rua Dr. Flores e Rua dos Andradas, até a Praça da Alfândega. No desfile, havia crítica e a sátira de fatos cotidianos, questões relacionadas à faculdade e figuras em evidência na época, através de charges e cantos.
Na década de 1960, após a instalação da Ditadura Militar no Brasil, o evento sofreu perseguições. Em 1966, os estudantes foram duramente criticados por terem realizado a passeata todos vestidos de preto, em protesto às questões políticas. O último desfile desse período ocorreu em 1968. A “Passeata dos Bichos” só retornou após a reabertura política, mas não com a mesma força e irreverência de seu início.
Acervo MUHM: Dr. Belmonte Marroni
Acervo MUHM: Dr. Rubens Paim Cruz
Os calouros deveriam usar os chapéus de bicho durante o primeiro semestre letivo, como uma forma de identificá-los. Acervo MUHM: Dr. Salim Amim Salim
Acervo MUHM: Dr. Belmonte Marroni
AS KERMESSES
Acervo: Hemeroteca Digital Brasileira
Acervo: Hemeroteca Digital Brasileira
Acervo: Hemeroteca Digital Brasileira
Acervo: Hemeroteca Digital Brasileira
Nos primeiros anos após a sua criação, era comum a realização de Kermesses, eventos sociais de arrecadação de verbas, organizados pelos alunos, para o funcionamento da Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Nessas festividades, ocorriam doações de objetos que eram leiloados, além de festas e bailes.
OS CAMPEONATOS DE FUTEBOL E A SOCIABILIDADE
No decorrer do curso, novos e importantes eventos sociais surgiam. Entre estes, estavam os campeonatos de futebol interséries, quando as séries da faculdade se enfrentavam, e os famosos torneios realizados entre os diferentes cursos – os maiores rivais do time da Medicina eram as equipes das faculdades de Engenharia e Direito.
Acervo MUHM: Dr. Belmonte Marroni
Acervo MUHM: Dr. Romeu Luiz Fiorin
Acervo MUHM: Dr. Walmor Piccinini
Acervo MUHM: Dr. Belmonte Marroni
Para a realização dos torneios, cada curso elegia uma madrinha, parte importante do ritual futebolístico, pois cabia a ela entregar a medalha ao time vencedor no final do campeonato no próprio campo, além de organizar e participar nos bailes promovidos pelo centro acadêmico.
Muitos dos médicos que jogavam nos campeonatos tornaram-se desportistas profissionais e foram atletas de times como Grêmio e Internacional. O salário que recebiam os auxiliava a pagar os custos do ensino da faculdade, alimentação e alojamento durante os estudos.
O CENTRO ACADÊMICO SARMENTO LEITE
Além das festas e atividades esportivas, os estudantes do Curso de Medicina participavam nas questões relacionadas ao movimento estudantil. O Centro Acadêmico de Medicina foi fundado em 1912 e era uma entidade representativa dos estudantes. A criação da agremiação foi iniciativa do acadêmico de Medicina Fernando de Paula Esteves, que se tornou o primeiro presidente durante a gestão de 1912 a 1913. O professor Eduardo Sarmento Leite foi o único professor a participar na reunião de inauguração, que ocorreu no cinema Odeon. O Centro Acadêmico Sarmento Leite (CASL) recebeu o nome em homenagem ao mestre, por ser um dos fundadores da Faculdade de Medicina, professor catedrático e muito estimado pelos alunos e pela comunidade.
Acervo MUHM: Dr. Boleslau Casemiro Konarzewski
Acervo MUHM: Dr. Iremar Couto Mesko
Acervo MUHM: Dr. Fernando Ferreira Bernd
Acervo MUHM: Dr. Boleslau Casemiro Konarzewski
O CASL, conforme seus estatutos, tem como missão atender aos interesses comuns dos alunos da faculdade e de representá-los nas instâncias cabíveis dentro da instituição. Diversos médicos que passaram pelas direções do diretório acadêmico seguiram a vida política, sindical e artística.
A primeira estudante a ser presidente do CASL foi Jeanette Barbisan de Souza, na gestão de 1971 a 1972, 59 anos depois da fundação da agremiação.
AS PUBLICAÇÕES ACADÊMICAS E POLÍTICAS DO CENTRO ACADÊMICO
Além das discussões políticas e de interesse dos alunos, o Centro Acadêmico Sarmento Leite era responsável pela organização e edição de publicações acadêmicas.
Em 1914, os estudantes Lauro de Oliveira e Raul Moreira – presidente e vice-presidente do Centro Acadêmico, respectivamente, tomaram a iniciativa de lançar a revista Vida e Arte, um espaço para refletir sobre ciência e arte. Após, surgiram as publicações Acadêmicos de Medicina (1934) e a C.A.M. Centro Acadêmico de Medicina (1938). O jornal O Bisturi, que trazia matérias de interesse acadêmico, político e científico, surgiu em 1945.
Acervo MUHM: Dr. Raul Moreira Filho
Acervo MUHM: Dr. Raul Moreira Filho
Acervo MUHM: Centro Acadêmico Sarmento Leite
Acervo MUHM: Dr. Raul Moreira Filho